Relato de Hospital #28

A curiosidade estava a flor da pele, literalmente, pois naquele mesmo dia eu havia passado por um jardim e roubado algumas flores que ali estavam.

O clima estava leve, nossos jogos fluindo, as enfermeiras interagindo, até que entramos naquele quarto: o quarto que estava prestes a deixar sua marca para sempre em minha mente.

Brincadeiras rolavam, sempre com palavras e músicas, até que um olhar se encontrou ao meu e ali o tempo parou... a paciente não poderia nos ouvir, senti sua necessidade em receber atenção, seus olhos estavam cheios de lágrimas. Os demais estavam interagindo com outros pacientes no mesmo quarto, não perceberam a conexão que ali acontecia. Sinalizei um “oi” com a mão e ela logo respondeu: um gesto lento devido à idade, mas ligeiro em relação à sua lucidez. Ali, após aquele cumprimento, iniciamos uma conversa em que somente nós duas entendíamos, senti a leveza e a felicidade crescendo naquela senhora, e terminamos com o envio de um beijo e de corações com as mãos.

Terminamos a visita e continuei com aquela conversa em minha mente pelo restante da semana: não sei falar em libras, tampouco sei todas as línguas para poder conversar com qualquer pessoa no mundo. Mas percebi que podemos, sim, nos comunicar com qualquer pessoa no mundo e podemos, sim, nos expressarmos de modo a um entender o outro. Você já imaginou que louco seria, se cada um de nós parasse para compreender a maneira com a qual o outro nos recebe, e vice-versa?

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