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Oficina de Improvisação no hospital

11.10.2017

Por:

Fotografia: Simoni Florencio

 

Encerramos em 08/10 mais uma produção magnífica em parceria com Curitiba Circense! A Oficina: improvisação de palhaços em hospitais foi conduzida por Edran Mariano, nosso diretor artístico e terminou com a certeza de que o aprendizado para o palhaço nunca tem fim!

E claro, ficou aquele gostinho de quero mais!

Agradecemos à todos e todas que estiveram presentes e construíram juntos esses momentos, em nome da produção!

Obrigado pela entrega!
Obrigado pela generosidade!

Obrigado pelas danças!
Obrigado pelas cenas!
Obrigado pelo eslow mochion!

Obrigado ao Antropofocus™ pela parceria de sempre!


E como resultado, o Thiago Fortes Ribas que conosco mergulhou de cabeça em seu primeiro curso de palhaço, produziu uma belíssima síntese do que é o nosso ofício e que compartilhamos a leitura com vocês. Como diz nosso querido Edran, boa viagem!

Sobre uma oficina de palhaçaria

 

Imerso no pragmatismo e nas simulações da vida adulta em tempos de crise, pouco a pouco a falta de sentido vai se tornando incontornável. No cotidiano que a forte maré produtivista nos faz viver encontramos seriedade demais para pouca verdade, são demasiadas hipocrisias e certezas para seres tão carentes e incertos.Sábado de manhã, quando comecei uma oficina de improvisação de palhaços em hospitais, a sensação era de curiosidade e de que eu estava perdido, provavelmente no lugar errado para mim. Nos primeiros diálogos com o grupo quis ser o mais sincero possível, mesmo correndo o risco de desagradar e ser reconhecido como sem noção. Já fui logo dizendo que não sabia o que um palhaço faz, não vi muitas apresentações, nunca estudei o tema, nunca atuei e nunca fiz curso de teatro. Resumindo, na minha cabeça eu tinha zero experiência (e muito pouca fé que eu pudesse ter um bom desempenho).Na primeira fala do Edran (professor da oficina) algumas das minhas preocupações se atenuaram, mas as respostas fáceis não vieram. O palhaço trabalha com as vivências e o sentimento que todos nós já temos. Ok, pensei, mas o que ele faz? Ou melhor, o que eu vou ter que fazer? Como só pensei e não perguntei em voz alta. Nenhuma respostas específica veio. Mas muitas dinâmicas foram acontecendo e a instrução era simplesmente "estar ali", "viver o presente", se entendi bem a questão era viver o momento de forma prazerosa, trocar experiência e sentimento com quem fosse possível. Mas como assim? Exatamente... era só isso. Isso não foi falado, mas era como aprender a brincar criando a própria brincadeira. Sem regras muito definidas e com um desafio diferente todo momento, vivi cada vez mais incerteza sobre o que fazer, sendo levado constantemente a me perguntar o que eu estava sentindo em meio a tantos embaraços e inevitáveis risadas.Foram dois (ou quatro) dias de imersão em outra lógica. Uma experiência que apresentava uma forma de coerência diferente do que o cotidiano da racionalidade social-econômica. Talvez se possa falar em outra racionalidade, mas talvez a dimensão da razão seja justamente um dos obstáculos para atingir o estado de atenção desejado. No final percebi que sendo o único que não tinha experiência alguma provavelmente só eu não sabia e não poderia entender o que se estava ensinando sem antes vivenciar estas práticas. Conversando com os outros alunos, dentre os quais se encontravam mães preocupadas com o vestibular de suas filhas, avôs que perdiam os aniversários de seus netos, aposentadas que desejavam realizar ações voluntárias, estudantes de medicina que buscavam se aperfeiçoar... notei que aquelas pessoas eram seres apaixonados por aqueles desafios e sentimentos desta outra lógica. Confesso que estranhei um pouco estar numa sala com pessoas apaixonadas e sem medo de se expor. Infelizmente o que encontramos cada vez mais são sobreviventes presos numa engrenagem que não têm coragem de sequer contestar. Mas eis que neste mundo de seres abatidos, no meio deste oceano de desânimo, foi possível encontrar um grupo em que tod@s ousavam perseguir uma felicidade verdadeira. E ainda mais excêntrico, tratava-se de uma felicidade direta, que não se esconde como uma promessa ou um fim abstrato que justificaria esquecer do presente.Entrei na oficina me sentindo perdido e me perguntando o que um palhaço faz e o que eu deveria aprender a fazer. A resposta não foi formulada expositivamente em nenhum momento, mas ela foi se mostrando na minha cabeça passo a passo. Não pretendo um consenso quanto a isto, mas para mim, hoje, o palhaço brinca, ele vive o presente e instaura um sentido neste presente. Ele existe na paixão de criar algo que torna o momento vivido mais interessante e valioso. Em meio a um mundo que muitas vezes sem encanto, em meio a angústias e compromissos, o palhaço nos lembra que o sentido está sempre por ser criado, ou seja, que ao invés de se afligir com a incerteza constante é possível transformá-la em fonte de criação. Acho que o palhaço é aquele que prefere a coragem de estar aberto a sedução dos novos sentidos do que a vergonha de quem não se arrisca.


Obrigado, Thiago!

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