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Relato de hospital #17

20.09.2017

Alguma coisa me diz que, apesar dela levar sorrisos, quem realmente ganha alguma coisa é ela, a Fanikita. 
É impressionante como a leveza se faz presente durante as visitas, um simples olhar, um sorriso muitas vezes tímido e desconfiado do paciente traz à tona sentimentos que a gente nem lembra que tem. A sensação de parar na porta do quarto e ver, no rosto do paciente um sorriso, é indescritível! E aí você se enche de esperança e se alegra por saber que mesmo que por alguns minutinhos, você e sua palhaça fizeram aquele sorriso vir à tona! Saber e sentir que algumas horas do meu dia fizeram diferença na vida de pacientes, parentes e funcionários é tão reconfortante que a cada visita eu sei que quem está "ganhando" com isso, sou eu! Pois aprendo ainda mais sobre a fragilidade da vida e do ser humano. Nesses momentos não existem diferenças. Nem de cor, nem de credo, nem de classe social ou educacional.

Nesse momento, único, existe a mais bela conexão que pode existir entre pessoas: a troca de olhares. Isso vale mais do que qualquer frase ou palavra. Pois dentro desse olhar está tudo que queremos transmitir. Um olhar pode significar um sorriso que não quer vir à tona, por receio ou porque, para alguns pacientes, o momento não é de sorrir. Então essa simples troca de olhar substitui tudo. É como se de repente os olhos falassem por nós, e aquele brilho que vem lá do fundo do coração, transpassasse tudo,  e então sentimos, e sabemos identificar aquela expressão. Inúmeras vezes é uma expressão de gratidão, pois a atenção que dispomos ao paciente ali, é essencial e especial, simplesmente por ser diferente, por ser mais simples e singela, e cheia de alegria.

 

Certa vez, no Hospital Universitário Cajuru, um senhor disse que tinha que me agradecer por ter feito ele sorrir naquela manhã, pois se sentia aflito com uma cirurgia que faria. Pediu gentilmente para que Fanikita segurasse a sua mão, e agradeceu novamente, dizendo que aquela figura de palhaça, lhe trouxe a memória momentos de alegria que ele teve em sua infância quando foi ao circo pela primeira vez, e se encantou com os palhaços. E em sua inocência infantil, ele acreditou que mesmo em meio às dificuldades, era possível sorrir. Instantaneamente os olhos de Fanikita brilharam ainda mais, e obviamente se encheram de lágrimas. Foi quando o paciente apertou ainda mais a sua mão, sem dizer uma palavra sequer, naquele momento houve uma troca de sentimentos, de carinho e gratidão. E quando digo gratidão, é por parte da Fanikita, sem sombra de dúvidas! 
Ficamos atônitas por alguns segundos, eu, com toda vontade humana de dar um abraço
extremamente apertado naquele senhor, e Fanikita que sobressaiu-se rapidamente daquela situação jogando uma piada: de que seria impróprio ficar ali de
mãos dadas e falando tão de perto com ele, pois seu namorado, Leopoldo, estava ali
pelos corredores, e era ciumento! E se Leopoldo visse Fanikita com um senhor tão bonito, ele iria contar ao circo todo que Fanikita estava paquerando no hospital!

Novamente vi brotar o sorriso naquele rosto antes tristonho! E rapidamente o paciente entrou no jogo, dizendo: não sou ciumento, eu explico para ele que eu que estava paquerando a palhaça de bobs no cabelo! E juntos sorrimos...
E um silêncio prazeroso se fez presente por alguns segundos. 
Me despedi com um aperto de mãos e um desejo gigante de pronta recuperação a aquele senhor. E isso é o que faz com que cada dia mais eu queira estar nessa jornada com vocês! Vocês me ajudam e me ensinam a trazer o melhor de mim cada vez mais. 
Um salve à Palhaçaria hospitalar e um muito obrigada ao NS por abrir a porta desse universo incrível para mim e para Fanikita! 

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