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Relato de hospital #12

 

Minhas impressões nas primeiras visitas como palhaço no hospital, foram um misto de emoção, receio, curiosidade, confusão, alegria, cansaço e tantas outras coisas que a gente nem se dá conta na hora, são sentimentos diversos, uns que se revelam mais no momento, aparecendo mais do que outros, e uns que ficam reverberando… No primeiro dia eu estava muito cansado, tinha dormido pouco, então minha participação foi um pouco tímida, mais contida e mais observadora, também por ser a primeira vez. Mas mesmo assim, houve momentos fortes e bonitos, em especial quando entramos em um quarto onde haviam duas crianças pequenas, uma delas com paralisia cerebral, com a qual tentei me conectar, simplesmente chamando seu nome baixinho e suavemente, mexendo o chocalho que tinha em mãos. Ela, que estava com sua mamãe ao lado, com seus olhinhos fechados e sem reação, de repente abriu os olhos e ficou um tempo observando o chocalho, fazendo mínimos movimentos, quase como tentando olhar mais do que aquilo. Foi bem emocionante, um momento de suspensão, daqueles que a gente não sabe o que faz, simplesmente está ali, conectado, pulsando, sentindo…

Na segunda visita, já foi bem diferente, estava mais tranquilo e também muito mais disposto do que na primeira, porque tinha conseguido descansar naquela noite e o grupo todo estava bem animado. Pudemos interagir somente com algumas crianças, mas nos envolvemos muito com funcionárias e funcionários, além do público que esperava para ser atendido. Teve um momento em que fomos chamados pelos funcionários para a U.T.I., e eles se demonstraram muito felizes de estarmos ali.

Neste dia, ficou muito mais claro a necessidade e a importância da presença dx palhaçx nestes ambientes, não só para xs pacientes, mas para todxs que ali convivem. Os ainda poucos contatos que tive me fizeram adentrar num outro universo. Estar diante da fragilidade tão exposta das pessoas, neste caso, crianças, pais e mães em situações às vezes limites, nos mostra o quão frágeis e efêmeros somos. Mas ao mesmo tempo, nos mostra também o quão grandes e fortes podemos ser, para aguentar a dor do sofrimento e o medo da morte, da possibilidade de perder alguém que se ama. Sinto que este paradoxo permeia este trabalho o tempo todo, e como x palhaçx pode ser sensível e forte ao mesmo tempo para amenizar tais sentimentos e transformá-los em algo leve, humano, bonito, e às vezes até ... alegre!!!

Feliz e agradecido por fazer parte desta história, do Grupo Nariz Solidário, que tem esta séria e alegre missão de poder proporcionar e manter o brilho desta experiência.

 

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