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Relato de Hospital #10

02.06.2017

Era um domingo chuvoso e de muita preguiça. Porém, entre ficar debaixo das cobertas quentinhas e caminhar por corredores gelados, fiz minha escolha.

 

Escolhi estar presente. Com grande entusiasmo, lá fomos nós, aquecer os corações que estavam no Hospital do Rocio (apesar de que nesse dia de frio foram eles quem nos aqueceram).

 

Naquele dia, éramos um trio, formado por Valentina, Pitóia e eu. Quando iniciamos a nossa visita fomos surpreendidas com tanto amor e, foi em um dos tantos quartos da ala 100 que presenciamos uma das cenas mais lindas que se pode imaginar.

 

Acompanhamos uma senhora entrar no quarto com uma sacola e fomos atrás dela levando o "resto das compras do mercado" em sacolas imaginarias, porém pesadas.

 

Ao entrar neste quarto e sem se importar com nossa presença, aquela linda senhora chegou perto do esposo e lhe deu um beijo e, aos poucos, foi tirando da sacola algumas coisas, entre elas, roupas e um pote misterioso, com algo que chamou de alimento mais importante que existe.

 

E é claro que ficamos curiosas pra saber o que havia dentro daquele pote. Passados alguns minutos, ela nos revelou o que carregava, era uma óstia consagrada. A partir disso, ficamos ali em silêncio, respeitando o aquele momento, tão sagrado para o casal.

 

De repente, sentimos no ar a doçura e a sinceridade presente naquele quarto e transbordamos junto com eles. Era o toque de fé e de amor que precisamos naquela tarde fria. Neste mesmo quarto, descobrimos que este casal estava pra comemorar 50 anos de casados e em seus olhos era nítido o cuidado de um para com o outro e a cumplicidade também.

 

Diante disso, só poderíamos comemorar. Então, fizemos uma festa no quarto. Com direito a bexigas, música e claro, muita palhaçada. Saímos de lá inspiradas para continuar nossa caminhada.

 

E depois de tanto romantismo, estava decidida : preciso arranjar um namorado. Mas, Pitóia e Valentina não acreditaram na minha ideia.  Até ajuda de Pai de Santo um paciente me sugeriu não sei por quê?!

 

Devido a chuva fui P.R.E.P.A.R.A.D.A né!

 

Coloquei uma capa de chuva e antes de entrar em um dos quartos perguntei se estava chovendo lá dentro. Fiquei comovida ao perceber que sim! Chovia nos olhos de uma senhora, e então, procurei confortá-la e ficar ali ao seu ladinho. Ofereci minha capa e aos poucos aquela chuvinha foi se dissipando. 

Entre um quarto e outro resolvemos comemorar o mês dos profissionais da enfermagem e pra adoçar o dia entregamos pirulitos para eles, mas, era mediante uma troca, de micos, danças e muitas risadas!

 

Por fim, quando passamos na recepção, havia muitas crianças nos esperando. Entre elas, uma em especial, me chamou a atenção. Neste momento, vou chamá-la de Maria.

 

Quando chegamos, percebi que também chovia nos olhos de Maria, porém, quando nos viu, a chuva foi embora rapidinho. Naquele momento passou a nos acompanhar pela recepção e grudou feito chiclete. Maria queria vir embora com a gente, então tivemos que elaborar um plano de fuga. Para isso, me escondi e Pitoia e Valentina desbaratinaram ela. Enquanto isso, como em um passe de mágica, voltamos para aquele corredor gelado, que leva a diversos quartos.

 

Então, percebi, que o plano de desbaratinar  aquela menininha linda, cujo pai estava na UTI, tinha dado certo.

 

Acho que Maria teve uma tarde bem diferente, seus olhinhos fitavam tanto os meus e o sorriso sapeca me conquistou de um jeito especial. Naquele momento, fizemos um breve pacto de amizade, ficamos super parças rapidinho, e consegui convencê-la de devolver o Macaco da Pitoia. Sim! Maria havia sequestrado o Macaco da Pitoia.

 

Enfim, aquele domingo chuvoso foi um dia especial e que para sempre ficará em minha memória.

Beijos Trupika.

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