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Relato de Hospital #09

17.05.2017

Por:

Naquele dia éramos três: Maricota, Coralina e eu, Mina. Éramos três e estávamos de passagem naquele corredor. De repente, fomos chamadas. Era um quarto de três leitos. Quatro, talvez. E lá no fundo, estavam eles, eles três: uma mãe, em pé, que chamou por nós; um filho, maior de idade, semi-consciente, ou semi-inconsciente; e um cachorro, de pelúcia. Dizia ela, que trazia coisas da infância, pra ver se ele retomava a consciência. Falamos coisas de sua infância, e ela logo contou que ele adorava música. Então começamos:


“Alecrim, alecrim dourado, 
que nasceu no campo sem ser semeado.”


...

 

A reação dele, foi imediata e comovente. Embargou nossa voz, mas conseguimos cantar até o final. Continuamos as três, conversando, brincando e ouvindo. Aquele era um dia da mãe falar, desabafar. Chegada a hora de partir, nos despedimos e a ouvimos reafirmar a esperança. Esperança de que o amanhã vai ser maior. E cantando, saímos as três, em um quarto de três, e juntaram-se a nosso coro, os outros dois, daqueles três.

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