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Relato de hospital #05

10.11.2016

Na minha primeira visita ocorreu uma coisa...

Tínhamos passado em diversos quartos.

No corredor, íamos embora, brincando, barulhando e as portas que já contavam com crianças, logo se encheram com mais crianças e seus acompanhantes. Por algum motivo, eu e Biruta nos enrolamos e acabamos ficando sozinhos, no corredor e diante da plateia, cada uma em sua porta. Lindamente nos aplaudiam. Era o triunfo da prece "que eu os ame, que eles me amem". Tínhamos, ou não, que seguir para os outros setores e precisamos deixar nosso público. Aquilo me marcou. Num outro dia, o corredor foi tomado novamente. Crianças, funcionárias da enfermagem, limpeza, fizeram do corredor um circo. Enquanto algumas palhaças brincavam ali, outros eram chamados para também brincar nas salas de isolamento, na UTI e em outros espaços. Algo nos fez voltar a caminhar, buscar nosso trajeto corriqueiro e lá fomos. Deixando novamente uma plateia que havia sido afetada e afetado os palhaços e palhaças, com toda certeza. Fiquei lembrando do grande mestre Ivan Prado, que em suas oficinas define quem é o mestre do palhaço: o riso. Diz ele em altíssimo e bom som: tuvo risas, cara! Tuvo risas! Eles te amam! E quando diz isso, Ivan afirma categoricamente: fique! Ainda não entendi se esse ficar é físico ou espiritual. Mas, é verdade que muito tem ficado, e quiçá, algo tenhamos deixado.

 

 

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