Relato de Hospital #34

"A bola ficou tão grande que explodiu!" Era um domingo de sol, respirávamos o calor que as paredes transmitiam. Andando eu, com um misto de alegria e incertezas e na companhia da palhaça Chupira. Foto: Arquivo Nariz Solidário Avistamos uma porta e lá dentro vimos uma pequena mulher debruçada em uma cama, com sua filha, uma menina que transmitia muita vida em seus olhos. Fomos surpreendidas por um convite irrecusável. Num piscar de olhos uma grande bola, bem redonda, surgiu no ar daquele ambiente, e a mulher perguntou: --Vamos jogar? Eu, como sou recheada de brincadeiras, logo aceitei. A bola crescia cada vez mais, aquela mulher era forte, gigante. Um vai e vem, um vem e vai, como foi incríve

Relato de Hospital #33

"Existia um abismo gigantesco entre aquelas duas camas" Uma família brincalhona de um lado, daqueles mel de abelha, do outro lado um pai silencioso, delicado, segurando seu pequeno bebê de 1 ano e alguns meses, com movimentos minúsculos. Foto: E Roosevelt Após realizarmos algumas tentativas de conexão com aquele pai, silenciamos, suspendidas em nossa lógica perdida. Sentimos ali, naquele olhar, em seu corpo presente e a envergar, o esgotamento paterno, o envolver de braços na fragilidade daquele pequenino. Em seu ouvido um fone de ouvido, quem sabe a ouvir um jogo de futebol narrado fervorosamente, ou um podcast com as atualidades da economia, talvez uma banda de Rock, um louvor, um audioliv

Relato de Hospital #32

"Estava no ar, era o jogo da vez" Naquele dia, ao passar por aquela grande passarela que muitas pessoas chamam de corredor, ouvimos sons de todos os lados, eram passos rápidos e apertados, carrinhos que arranhavam o chão, conversas que pareciam reuniões de trabalho e tinha barulho de gente que também estavam ouvindo aqueles ruídos. Foto: Gabriela Valiente Corri com meus olhos para aquele quarto, ouvi aquele som diferente de todos os outros, agradava tanto!! Foi convidativo! De longos cabelos e voz suave cantava para sua mãezinha, que naquele momento preferia ficar deitada ouvindo... nesse envolver nossos olhos cruzaram, estava no ar, era o jogo da vez, onde primeira e segunda voz se mistur

Relato de Hospital #31

“Onde está a sua mãe?”. Sorrindo, me olhou e apontou em direção a ela” Surgiu de algum lugar uma apresentação de um grupo italiano, o saguão estava cheio, cada um procurando um bom lugar para sentar-se e apreciar, quanto tudo se organizou, iniciaram cantando e dançando, muitos olhares, nenhuma fala e muita emoção. Aos poucos fomos tomados pela sintonia, cantamos e dançamos com o grupo. Achei um olhar perdido ali no meio da multidão, pensei: “Será?”. Continuei dançando, mas algo me dizia: “Procure”. em meio as pessoas passei a observar e procurar, quando encontrei me emocionei. O mundo parou, o silêncio tomou conta, dentro de mim acelerou. Caminhei em direção aquele olhar e perguntei: “Onde e

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